Corrida no Ar News | Segunda-feira | 24 de novembro de 2025
A Maratona de Curitiba 2025 entrou para a história. Éderson Vilela completou os 42km em 2h15min13s, quebrando o recorde da prova que pertencia a José Gutemberg desde 2004 – impressionantes 21 anos de hegemonia. O tempo anterior era de 2h17min56s, estabelecido numa época em que nem se sonhava com tênis de placa de carbono.
O mais impressionante? O segundo colocado, Justino Pedro, também superou o antigo recorde com 2h17min05s. E completando um pódio 100% brasileiro, Wendell Jerônimo ficou em terceiro com 2h18min01s.
Prova feminina: domínio africano
No feminino, a queniana Naum Chepchirchor venceu com 2h39min14s, após liderar um grupo de três africanas durante grande parte da prova junto com a brasileira Mirela Saturnino. A brasileira lutou bravamente mas acabou ficando para trás por volta do km 35, quando as africanas aceleraram. Completaram o pódio Emily Chebet (Uganda) e as brasileiras para Francine dos Santos e Mirela Saturnino, .
Condições perfeitas e organização em evolução
O clima colaborou de forma excepcional: 16 graus no início, chegando no máximo a 18 graus, com céu nublado. Condições ideais para performances de alto nível, especialmente considerando a época do ano.
A prova, que pela primeira vez contou com o selo da World Athletics, ofereceu a maior premiação de maratona do Brasil: R$ 110 mil para os vencedores, além de premiações especiais para os cinco melhores brasileiros – uma valorização importante dos atletas nacionais.
Números da participação
- 5km: 2.194 concluintes
- 10km: 2.802 concluintes
- 21km: 5.540 concluintes
- 42km: 3.016 concluintes
- Total do evento: 13.552 atletas
O crescimento foi modesto nos 42 km (cerca de 4% em relação a 2024), possivelmente impactado pela proximidade com a Maratona de Brasília no mesmo fim de semana.
Frustração na transmissão
Preciso compartilhar uma frustração pessoal e profissional. Pelo terceiro ano trabalhando na transmissão da prova, enfrentamos novamente problemas sérios com a empresa fornecedora de internet. Mesmo com um funcionário da empresa presente, o sinal ficou intermitente durante toda a transmissão.
Perdemos a largada. Perdemos momentos cruciais da prova. Perdemos até a chegada do Ederson quebrando o recorde. É extremamente frustrante quando você se prepara, se dedica, mas é sabotado por falhas técnicas básicas. Quem leva a culpa? O canal, a organização e os profissionais envolvidos. Inaceitável em 2025.
Maratona de Brasília: redenção e números expressivos
A Maratona Monumental de Brasília, parte do circuito Mega Finishero que engloba capitais sul-americanas como Buenos Aires, Lima e Montevidéu e Assunção, também aconteceu no domingo e surpreendeu positivamente.
Destaques masculinos:
- Campeão: André Luiz Silva – 2h27min15s
- Vice: Renilson Vitorino – 2h27min59s
- Terceiro: André Nascimento Silva – 2h29min38s
Destaques femininos:
- Campeã: Senara da Silva – 3h00min43s
- Vice: Raíssa Marcelino – 3h05min38s
- Terceira: Sandra Aragão – 3h14min07s
Participação total:
- 5km: 1.588 atletas
- 10km: 1.434 atletas
- 21km: 3.513 atletas
- 42km: 1.850 atletas
- Total: 8.375 participantes
O mais importante: não faltou água. Após os problemas de 2024, a organização aprendeu com os erros e entregou uma prova redonda. Por isso, revejo minha posição e confirmo: voltarei a Brasília em 2026.
Polêmicas e reflexões sobre o doping
Os comentários sobre o caso de doping em Santa Maria trouxeram reflexões importantes:
Testosterona em mulheres: um absurdo normalizado
O Dr. Léo Costa, especialista em prática baseada em evidências, alertou sobre uma tendência preocupante: mulheres de meia-idade usando testosterona e derivados indiscriminadamente para “tratar” sintomas como fadiga e baixa libido.
Vamos ser claros: mulher não precisa de testosterona suplementar. Os níveis naturalmente baixos são normais e esperados. Qualquer profissional que prescreva isso sem indicação médica específica está, no mínimo, sendo irresponsável.
A responsabilidade é sempre do atleta
Como bem destacou uma mãe de nadadora nos comentários, informação é fundamental. Existem aplicativos, sites, recursos infinitos para verificar se uma substância é proibida. Até o Prednisona, um corticoide comum, pode ser doping.
O atleta é 100% responsável por tudo que entra em seu corpo. “Eu não sabia” não é desculpa aceitável em 2025.
Novidades para 2026
Curitiba com desafio em dois dias
A organização já está em conversas avançadas com a prefeitura para implementar o “Desafio da Capivara”: meia maratona no sábado e maratona no domingo. Seria um salto gigantesco para consolidar Curitiba entre as grandes maratonas nacionais.
Brasília terá três maratonas
Além da Monumental e da Maratona de Brasília tradicional, a cidade ganhará a Maratona da Live em 2 de agosto. Para quem achava que uma maratona era pouco, agora terá opções de sobra.
E por hoje é só, pessoal.
Muito obrigado pela leitura e até amanhã!
Sérgio Rocha
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