A luta pela ESSÊNCIA e SEGURANÇA no futuro do TRAIL RUNNING

A luta pela ESSÊNCIA e SEGURANÇA no futuro do TRAIL RUNNING

Domingo | 11 de outubro de 2026

O trail running tem crescido muito em popularidade ao redor do mundo, mas quem dita as regras e organiza a governança da modalidade? Durante o TS Summit 2026, evento organizado pela Ticket Sports, conversei com Natacha Manchado, representante brasileira na World Athletics, que tem cuidado justamente dessa área na federação internacional. Ela explicou como a entidade está se envolvendo cada vez mais com as corridas de trilha.

Segundo Natacha, o trail running é, antes de tudo, corrida, e por isso faz parte do escopo da World Athletics. A comunidade do trail muitas vezes sentia falta de um “pai e uma mãe”, uma entidade reguladora, e a federação está buscando ocupar esse espaço. O objetivo não é impor regras arbitrariamente, mas sim estruturar o esporte em conjunto com outras organizações já estabelecidas, como UTMB, ITRA e WMRA. “A gente não está concorrendo, a gente está fazendo parte desse ecossistema”, afirmou.

Um dos pontos mais importantes, segundo ela, é entender que o trail running é um “outro universo”, muito diferente da corrida de rua, e não pode ser tratado como uma simples adaptação. A modalidade exige regras específicas, principalmente por questões de segurança, como equipamentos obrigatórios. A World Athletics já possui uma regra específica para isso, a Regra 57, que trata de “Mountain and Trail Running”. Nela, há detalhes sobre o uso de celular (obrigatório para segurança, não para se filmar) e até a posição do número de peito, que precisa ser adaptada para o uso de jaquetas, por exemplo.

O sonho de ver o trail running nas Olimpíadas também foi pauta. Para Natacha, antes de pensar nisso, é preciso resolver questões fundamentais, como a unificação de um ranking global e a criação de critérios claros de qualificação para o Mundial. “Se a gente não tem isso, como vamos sonhar com Olimpíada?”, questionou. A ideia é criar um caminho lógico para os atletas de elite.

O trabalho da World Athletics também inclui um programa de certificação de provas de trail, similar aos selos (Labels) da corrida de rua, e um foco crescente no antidoping, em parceria com a Unidade de Integridade do Atletismo (AIU). Natacha citou que a Golden Trail Series já realiza os testes com a AIU, e a ideia é expandir esse controle para garantir um esporte mais limpo e justo.

Por fim, ela destacou a importância de quebrar a visão eurocêntrica no atletismo mundial, trazendo mais provas e reconhecimento para outras regiões, como a América do Sul. A presença de provas com selo no Brasil, como a La Misión, que conquistou o selo Ouro, é um passo importante. Natacha, como brasileira, ressaltou seu papel em levar uma perspectiva diferente para as decisões da federação, que historicamente foi muito centrada na Europa. Com o crescimento do esporte no Brasil, ela acredita no potencial do país para, futuramente, sediar campeonatos mundiais.

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