Corrida no Ar News | Segunda | 19 de janeiro de 2026
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A polêmica das Federações no Piauí
Existe uma situação complexa envolvendo a organização do atletismo no estado do Piauí. Para contextualizar: em setembro de 2025, houve um edital para a criação da Federação de Atletismo do Piauí. Após a estruturação, em dezembro, a nova entidade anunciou que passaria a cobrar o permit (uma taxa de autorização) para a realização de provas no estado a partir de janeiro.
Essa cobrança gerou resistência por parte dos organizadores locais, que alegaram que isso encareceria as inscrições e não traria benefícios claros. Houve reuniões, inclusive com a presença do presidente da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), mas o impasse permaneceu.
A reação dos organizadores foi drástica: eles se uniram e criaram uma entidade paralela, a “Federação Piauiense de Corrida de Rua”.
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Por que isso é problemático?
Embora a Constituição garanta a liberdade de associação, existe uma estrutura oficial do esporte. A corrida de rua é uma modalidade do atletismo, regida mundialmente pela World Athletics e, no Brasil, pela CBAt e suas federações estaduais filiadas.
A criação dessa federação paralela ignora a Lei Geral do Esporte (Artigo 153), que determina que eventos em vias públicas devem ser supervisionados pela entidade que administra a modalidade.
Além da questão legal, há um problema prático e ético:
- Isolamento: Provas sem permit oficial não são válidas para índices ou ranking brasileiro. Atletas de elite do Piauí terão que correr em outros estados para obter marcas oficiais.
- Conflito de Interesses: A diretoria dessa nova “federação” é composta pelos próprios organizadores de provas e empresas de cronometragem. Ou seja, os fiscalizados criaram o órgão fiscalizador.
O permit não é apenas uma taxa; é a garantia para o corredor de que o evento segue as normas técnicas e de segurança. Criar uma entidade paralela sem reconhecimento da CBAt não dá legitimidade ao esporte local e isola o Piauí do cenário nacional. O caminho correto para contestar a federação oficial seria através da justiça desportiva, e não criando uma instituição sem validade técnica.
Obrigado pela leitura de sempre e até amanhã!
Sérgio Rocha
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