QUEM DORME MAL SE LESIONA MAIS

Chegou para mim um estudo muito interessante que gostaria de conversar com vocês. O estudo se chama Sleep Matters: Sleep Patterns Predict Sports Injury in Recreational Runners (A Importância do Sono: Traçando o Perfil dos Padrões de Sono para Prever Lesões Esportivas em Corredores Recreativos).

Sobre o estudo:

  • Publicado na revista Applied Science, uma revista com fator de impacto de 2,5 (bem confiável)
  • Feito por dois autores holandeses
  • 425 corredores recreativos participaram
  • Nível de experiência considerável: pessoas que correm há pelo menos 12 anos e fazem meias maratonas e maratonas

O contexto:

A gente já sabe que a corrida está super popular (nem preciso explicar, né?) e que o índice de lesões na corrida é relativamente alto. Todo mundo conhece alguém que se lesionou, todo mundo já se lesionou alguma vez na vida.

Embora a gente tenha vários fatores de risco para lesão conhecidos (tipo histórico de lesão, carga de treino), o fator sono foi pouco estudado em corredores recreativos.

O objetivo: Investigar se os perfis de sono podem prever lesões esportivas.

A metodologia:

Os pesquisadores decidiram não focar em só uma variável (tipo só duração), mas tratar o sono como algo multidimensional. Eles utilizaram uma análise de perfil latente que identifica agrupamentos distintos de risco com base em três indicadores:

  1. Duração do sono (horas médias por noite)
  2. Qualidade do sono (autoavaliação em escala Likert)
  3. Problemas de sono (dificuldade para adormecer, despertar noturno, acordar sem se sentir bem descansado)

Definição de lesão: Qualquer lesão causada ou desenvolvida durante a corrida que resultasse em redução ou interrupção de atividade por no mínimo 7 dias ou 3 sessões de treino consecutivas.

Os resultados: 4 perfis de sono identificados

A partir dos 425 corredores, identificaram quatro tipos de “sleepers” (dormidores):

1. Steady Sleepers (Dormidores Estáveis) – 48%

  • Grupo controle
  • Nível médio de duração do sono
  • Qualidade ligeiramente acima da média
  • Baixo nível de problemas de sono

2. Poor Sleepers (Dormidores Ruins) – 37%

  • O pessoal que dorme mal mesmo
  • Baixa duração
  • Baixa qualidade
  • Alto nível de problemas de sono

3. Efficient Sleepers (Dormidores Eficientes) – 8%

  • Duração média
  • Alto nível de qualidade
  • Baixo nível de problemas de sono

4. Fragmented Sleepers (Dormidores Fragmentados) – 7%

  • Duração média
  • Nível ligeiramente acima tanto na qualidade como nos problemas de sono

A descoberta importante:

A análise revelou que dormir mal é um preditor significativo de lesões na corrida:

  • Risco aumentado de 1,78 vezes em relação ao grupo controle
  • Probabilidade de lesão 68% maior do que o grupo controle

Outros perfis não tiveram associações significativas com risco de lesão.

A conclusão:

O sono, mais do que nunca, deve ser reconhecido como um fator de risco significativo para lesões em corredores recreativos. Se você dorme mal, você é mais vulnerável, amigo.

O que fazer:

A gente tem que começar a pensar no sono como uma prioridade de desempenho, não só descanso e recuperação.

Práticas recomendadas:

  • Dormir pelo menos 7 a 9 horas (quanto mais, melhor)
  • Sonecas do meio do dia também ajudam
  • Adotar práticas de higiene do sono:
    • Evitar cafeína e comidas pesadas antes de dormir
    • Reduzir tempo de tela
    • Estabelecer rotinas consistentes
    • Cuidar da temperatura do quarto
    • Cuidar da luminosidade (ambiente adequado)

A gente sabe que é difícil – tem família, responsabilidades – mas é fundamental!

Conclusão final: Como o sono é importante na vida da gente! A gente sabe que dormindo mais, a gente se recupera mais rápido. E olha só: se você dorme mal, você tem mais risco de se lesionar na corrida. Quer se lesionar menos? Durma mais.

Adorei esse estudo dos holandeses.


E por hoje é só, pessoal.

Muito obrigado pela leitura e até amanhã!

Sérgio Rocha


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